A VOZ QUE CLAMA NO DESERTO

A VOZ QUE CLAMA NO DESERTO

por Bruno Moreno da Silva -
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Ao observar este fórum, percebo que o maior perigo para o CBMAC não é apenas a proposta do governo, mas o silêncio ensurdecedor de nossas associações e o conformismo de parte da tropa. Somos a turma de 2013,. Temos 12 anos de serviço — tempo suficiente para não sermos mais ingênuos, mas ainda com muita estrada para aceitarmos a destruição da nossa carreira.

Muitos aqui parecem iludidos com um "meio-termo" que promete alívio imediato na escala, mas que entrega a nossa dignidade a longo prazo. Outros, talvez certos de suas promoções iminentes, calam-se diante das vagas de 1º Sargento, Subtenente e Tenente que se aproximam. É legítimo querer subir, mas é vergonhoso permitir que o preço da ascensão pessoal seja a mordaça institucional sobre a precarização da nossa classe.

O preço desse silêncio e dessa ilusão já começou a ser pago. Os Sargentos mais modernos já sentem o peso da desvalorização, e o cenário é ainda mais sombrio para os soldados de 2022 e 2025. Esses novos colegas, que entraram com o sonho de uma carreira técnica, estão herdando uma instituição que troca a expertise permanente pela mão de obra descartável.

De que servem as novas divisas ou as estrelas no ombro, se elas forem conquistadas sobre os escombros de uma carreira enfraquecida e sem poder de negociação?

Esta é uma voz que clama no deserto, mas que não se calará diante da conveniência. Convocamos a Associação para que exerçam seu papel. O CBMAC não precisa de "paliativos" ou de silêncio estratégico; precisa de lideranças que honrem a farda que vestem e a confiança de quem ainda acredita na força da nossa união. O "meio-termo" hoje é a derrota de amanhã.