O ingresso de bombeiro temporário no CBMAC iria funcionar como um "pulmão" para a instituição, permitindo que o Estado atenda demandas de ocorrências, principalmente em épocas de maiores atendimentos à população como nas enchentes e queimadas, com um custo operacional bem menor comparado ao bombeiro militar efetivado, viabilizando um aumento significativo do efetivo na instituição, com isso, teria um aumento real no número de guarnições operacionais.
Diante deste cenário seria criado uma porta de entrada que permitiria ao jovem acreano conhecer a caserna. Isso oxigenaria a corporação e criaria uma reserva de talentos para futuros concursos.
Contudo, com o ingresso de bombeiro temporário, teria uma grande perda no quesito quanto ao aprendizado contínuo, tanto durante o curso de formação de soldados (CFSD), como em cursos de especialistas durante a carreira militar. O ingresso do bombeiro temporário implica que, assim que o profissional atinge o auge de sua proficiência técnica, seu contrato se encerra, trazendo prejuízos para a corporação.
Além disso, diversos tipos de ocorrências como incêndios estruturais, salvamentos em altura, resgates técnicos, ocorrências com produtos perigosos, dentre outros, exigem um nível de proficiência que muitas vezes só é alcançado com anos de prática.
Para que o ingresso do bombeiro temporário seja eficiente para a instituição, deve ser apenas um elo, não um destino, ou seja, o Estado deve utilizar o bombeiro temporário para cobrir o déficit operacional, enquanto mantém o cronograma de concursos públicos para garantir a memória técnica e a liderança de longo prazo da corporação.
Por tanto, o ingresso de bombeiro temporário é uma ferramenta poderosa. Se usada como suporte, ela fortalece o CBMAC. Se usada como substituto definitivo, ela fragiliza a segurança da nossa população. O desafio dos gestores é garantir que o cidadão acreano sempre encontre um profissional bem treinado e capacitado, independentemente do regime de sua contratação.
Andre Souza da Silva - SGT BM