É preciso despertar para a realidade: quem defende a vinda de militares temporários para o CBMAC como uma "solução" está, na verdade, comprando uma ilusão que custará caro ao futuro da nossa classe. Acreditar que inflar os quartéis com pessoal de passagem resolverá a carência de efetivo é ignorar que o serviço de bombeiro não se faz apenas com braços, mas com técnica, continuidade e, acima de tudo, compromisso de vida.
A maior dessas ilusões é a financeira. Não se enganem: o temporário não vem para "sobrar dinheiro" para o efetivo; ele vem para servir de teto. Ele é a ferramenta que o Estado usará para dizer que o nosso trabalho pode ser barato e descartável, destruindo décadas de luta por valorização salarial. Enquanto se vende o discurso da modernização, o que vemos é a precarização do praça de carreira, que passará a ser um eterno instrutor de recrutas que logo irão embora, levando consigo o investimento público e a expertise técnica.
Valorizar a instituição não é preencher vagas com contratos de validade vencida para tapar buracos fiscais de outros poderes. É dar dignidade a quem decidiu dedicar sua vida inteira ao Acre. O CBMAC não pode ser transformado em um balcão de empregos transitórios sob o risco de perdermos nossa identidade, nossa união e a própria qualidade do socorro que prestamos. É hora de parar de vender ilusões e começar a investir em quem realmente sustenta esta farda todos os dias.