Soldados temporários

Soldados temporários

por Adeilson Borges da Páscoa -
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Falando a partir da perspectiva de um militar de carreira, como um Sargento do Corpo de Bombeiros Militar, minha opinião sobre a inserção de militares temporários é cuidadosa, crítica e equilibrada, porque o tema toca diretamente em valores estruturantes da carreira militar: hierarquia, disciplina, profissionalização e compromisso institucional de longo prazo.  

A atividade bombeiro militar não é meramente operacional. Ela exige: Formação técnica contínua, vivência institucional, maturidade emocional e operacional adquirida ao longo dos anos, compromisso vital com a missão constitucional. O militar temporário, por definição, não constrói carreira, o que pode enfraquecer: A cultura organizacional; transmissão de valores; O senso de pertencimento institucional. 

Há o risco de o militar temporário se tornar uma solução permanente para um problema estrutural, o que pode levar a: Redução de concursos públicos; desestímulo à carreira militar; substituição progressiva do profissional de Estado por mão de obra transitória. Isso contraria a própria lógica de instituições permanentes como os Corpos de Bombeiros Militares. O militar temporário pode ser um instrumento auxiliar, mas jamais o pilar da instituição. Preservar a carreira é preservar a qualidade do serviço, a segurança da tropa e a credibilidade da instituição perante a sociedade.