Tópico: O Ingresso de Militares Temporários no CBMAC
Minha posição: Contrário à implementação.
Embora a proposta de contratação de militares temporários surja como uma solução paliativa e de baixo custo para o déficit de efetivo, acredito que essa medida compromete a doutrina e a eficiência operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre a longo prazo. Sustento meu posicionamento nos seguintes pontos:
- Descontinuidade do Conhecimento: A atividade de bombeiro exige alta especialização e anos de prática para o aperfeiçoamento técnico (salvamento em altura, mergulho, combate a incêndios florestais). Ao completar o tempo de serviço, o militar temporário leva consigo todo o investimento em treinamento feito pelo Estado, gerando uma rotatividade que impede a consolidação de um quadro de especialistas.
- Enfraquecimento da Carreira: A coexistência de militares com direitos e perspectivas de futuro tão distintas pode gerar uma quebra na coesão da tropa. O militar de carreira possui um compromisso vitalício com a instituição, enquanto o vínculo precário do temporário pode desestimular o espírito de corpo.
- Segurança Jurídica e Previdenciária: A criação dessas vagas muitas vezes serve de "cortina de fumaça" para evitar a realização de concursos públicos para o quadro efetivo. Isso precariza o serviço público e deixa o estado vulnerável a futuras demandas judiciais trabalhistas e previdenciárias.
- Identidade Institucional: Ser bombeiro militar não é um "emprego", é uma missão que exige dedicação exclusiva e risco de vida. A transitoriedade é incompatível com a natureza da profissão no Acre, onde as especificidades da nossa região (como as crises de queimadas e enchentes) exigem um profissional enraizado e profundamente conhecedor da realidade local.
Conclusão: O CBMAC precisa de investimento em concursos para o quadro efetivo. Soluções temporárias são paliativos que não resolvem o problema estrutural e ainda podem nivelar por baixo a excelência técnica que a sociedade acreana espera de nós