A inserção de militares temporários no Corpo de Bombeiros Militar do Acre não é uma solução de modernização, mas sim um projeto de precarização que atinge diretamente a espinha dorsal da nossa instituição: o praça de carreira. Ao dividir a tropa entre "quem fica" e "quem passa", o Estado fragmenta a nossa união e enfraquece o poder de negociação de toda a categoria. Criar um contingente sem estabilidade e sem vínculo previdenciário de longo prazo gera uma disparidade perigosa que, na prática, serve de justificativa política para nivelar salários por baixo e travar investimentos em quem decidiu dedicar a vida inteira à farda. É inaceitável que o ajuste de contas públicas, motivado por gastos em esferas bem distantes do pátio do quartel, recaia sobre a base operacional que garante o socorro à população às três da manhã.
Substituir postos que deveriam ser ocupados por profissionais concursados por contratos com data de validade é um paliativo que apenas mascara o déficit de efetivo, sem resolver a carência de profissionais realmente comprometidos com o futuro da corporação. Valorizar o CBMAC não se resume a trocar viaturas ou inflar estatísticas com pessoal de passagem; valorização real se faz com investimento na dignidade e na carreira de quem é efetivo. Aceitar esse modelo como solução principal é sacrificar a nossa força, a nossa união e a nossa excelência técnica em troca de um sossego político momentâneo. O Acre não precisa de bombeiros de ocasião; precisa de uma instituição sólida, formada por homens e mulheres que tenham na farda o seu projeto de vida e não apenas um bico temporário.