O militar temporário não é essencialmente bom ou ruim, sua eficácia depende da intenção da gestão.
Quando bem aplicado, o serviço temporário funciona como uma válvula de escape permitindo a redução imediata de custos com pessoal; a reposição do efetivo em situações sazonais de picos de demanda; bem como a celeridade na contratação e formação de militares temporários (processo seletivo e curso de formação mais céleres se comparados a um concurso para cargo efetivo).
Contudo, se rotineiramente na administração pública, a excessão acaba virando a regra, nesta questão não seria diferente. Portanto, na utilização de miliares temporários como solução permanente iríamos observar fenômenos como a perda de qualidade no serviço prestado; a insegurança jurídica na atuação da segurança pública (um profissional da segurança pública que sabe que sairá em poucos anos terá níveis de engajamento diferentes de quem construiu sua vida na corporação, bom como trabalhará sempre com medo de que as suas ações ensejem em processos judiciais futuros, não valendo a pena correr riscos em prol da função "bombeiro militar"); a precarização da arrecadação de fundos para o pagamento de militares da reserva, já que se a base da pirâmide é composta majoritariamente por temporários, não há contribuição para com os militares da reserva, abrindo assim uma insegurança no tema da previdência dos militares efetivos, tanto os da ativa quanto os da reserva; fora que a estrutura de progressão e a própria representatividade política da categoria perdem força. Aperpetuação destes fenômenos culminaria na fragilização da imagem da corporação perante a sociedade.
A diferença entre o remédio e o veneno está na dosagem e na finalidade da aplicação.